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domingo, 12 de junho de 2011

Descubro Beijos

Descubro beijos,

Mantas sobre mobília antiga,

Apenas para não ganhar pó.

E porque tem de ser assim,

Sem cerimónia nem pompa,

Como o mais banal dos gestos?

Prefiro alcançar esse destino,

Correr para uma meta,

Que mais ninguém pode atravessar.

Solidão?

Escuridão?

Medo?

Talvez.

Mas não quero ser extremista.

Posso sempre mudar ao longo do caminho.

Nunca te habitues a pensar da mesma forma.

Senão irás parar a algum lugar que já conheces,

Mas ao qual nunca deverias ter voltado.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Intempéries 2

Esgotei as minhas palavras.

Estou farta de escrever no vazio.

Calafrio excêntrico de uma escritora

Sem papel,

Sem pincel,

Sem escopro,

Sem talento, incerto

Sonho dos sonhadores.

Sempre fui dada aos pesadelos

Suaves e claustrofóbicos.

Tinta

De sangue,

E em forma de caneta,

A dor.

Alucinações em que dizia

O que queria

E não

O que devia.

Se não fossem as lágrimas

Diria

Que era mentira.

Meu ser fora o não ser,

E, imaginação minha,

Não te quero perder.

Se te perco, perco-me a mim.

Perco-me,

Eu,

Mais uma vez,

No vazio.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Em desespero sigo a vontade dos deuses

Em desespero sigo a vontade dos deuses,
Porque esperança guardo-a já num canto.
Se guardado é o canto do cisne
Que se perdeu no ar.
No desencanto que a vida me traz,
Por vezes,
Nem a morte traria a sorte que eu queria.
E eu queria pesar esse olhar vazio
Que vejo, por vezes, no espelho,
E enchê-lo com o pesar
Que sei que os vivos têm,
E deixar de vaguear,
E deixar de me ausentar de mim mesma.




Vou passar a publicar aqui o que publico às quartas no fendamel, para não ficar tão parado...

sábado, 5 de setembro de 2009

Tela

A cada pincelada,

O poema surge.

Uma música de fundo.

Não é a letra por todos conhecida.

Por isso, aperfeiçoo.

Mas a exaustão não me leva para perto do sonho.

Cada pincelada é oca,

Apesar de tão cheia de técnica.

Cada pincelada é cinzenta,

Apesar de tão cheia de cor.

Porque não pinto logo a tela de negro?

A técnica esvazia-me a alma,

A cor enegrece o q dela resta.

Porque não pinto a tela de branco?

Há que fugir antes q seja tarde demais...

Assim a mente viaja mais.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Cansaços vagos

Cansaços vagos
que me têm perdida.
Cansaços vagos
Que me desesperam.
Procuro silêncios,
Vagueiam
Sem ar para respirar.
Olhos de encantos
Muitos, me temem.
Deixo,
Livres
Voam os pensamentos.
encantos que se respiram,
Não temam.

sábado, 18 de abril de 2009

Poema do Inconstante

Tenho fome de uma nova história,
Conto-as eu nos caminhos da minha mente.
Inconstante é o olhar;
Na minha cabeça a chama ilumina as personagens,
A cena em constante movimento.
Elas querem visitar as folhas de papel,
Escorrer pelo cano da caneta,
Balas do meu ódio ensanguentadas:
Matei a minha paciência
e ela tarda a ressuscitar...

Oh, nunca serão contadas,
Eu sei...
A menos que o meu ego trabalhe...
Ele sempre entra nas horas erradas no meu quarto...
O chão fica escorregadio
E o mundo desliza.

E um dia, a minha dimensão pode mudar.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Entre a rosa e a espada


Entre a rosa e a espada.
Olhos de ouro engolidos pela terra.
Quero ver e não posso
Quero sentir e não quero,
Que a bruma de sangue
Engole-me a mim
Mas não engole a minha mágoa…

Quero dormir,
Dormir o longo sono
Que a minha alma sonha.
Já eu só tenho pesadelos…
A espada corta e rasga,
E destas aberturas meu coração
Apenas bombeia para me esvair mais depressa.
Mais depressa acabe a dor,
Mais perto os meus passos me levem
Antes de cair e não mais me levantar.

O vento assobia, breve, num campo de flores
Que nascera,
Ao lado do trono dos reis e das eras.
Caminho para elas.
Arrasto as sandálias de legionário.
Estendo a mão para a mais vermelha delas.
Ela golpeia-me da mesma forma
Que a espada sanguinária.
A dor não cessa com a beleza
E ela alimentasse do sangue que corre em mim.

Exangue,
Recordo as duas fontes
Onde colhi
O hidromel das memórias.

E, entre a rosa e a espada,
Me sepultaram:
Aqui jaz
Soldado sem glória
Soldado sem memória
Soldado sem paz
Aqui me sepultaram
Aqui me esqueceram.

sábado, 19 de abril de 2008

Os elementos

Batôn vermelho
Cobre os lábios.
Um manto de seda
Envolvida no ar que respiro.
E no mar...
E no fogo,
Escarlate,
Como a seiva da vida.
A terra que alimenta
Esta estética
É rica
Nessa vida que
Me faz apaixonar.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Escuridão


A escuridão assaltou-me
Uma escuridão gelada…
Troquei meu leito pobre
Por um dossel feito de ossos do Lago Estígio.
Estendo a minha mão e empurro a porta,
A porta da casa de Hades.
Olho para trás e vejo claramente,
(com a clareza de quem já não vê a luz do dia),
Como era a vida.

E, à frente da antiga cidade soterrada de cinzas,
Fecho a porta.
Sorrio para Caronte com uma moeda na mão.
É esta a minha última viagem…


--Este é um dos meus primeiros poemas; fica o aviso para quem duvidar da sua qualidade.--

domingo, 16 de março de 2008

Raízes desconhecidas

A lua aclara a noite,
E com ela, partem os seus filhos.
De asas estendidas, voam
Até ao manto salpicado de ouro.
A brisa caminha pelas planícies.
Sou a única que não parte.
Correntes me prendem ao chão;
De memórias são elas feitas.
Imagino o caminho de estrelas:
Sonho com elas.
Mas há tanto que me prende a este lugar!
A brisa caminha…
Murmúrios nascem do amor
Entre o vento e as montanhas.
Finalmente, a noite partiu,
E eu não parti com ela.
A terra, sedenta, banha-se no sol
Que nasce entre as montanhas.
Preciso da lua mas saúdo
Aquele astro imponente.
Mais uma vez,
Onde não pertenço.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Ciência

Será o amor
Uma substância impura de se beber?
Bebe-se
Mas recusa-se o seu engenho?
A mecânica ainda não está provada.
É uma equação sem solução.
Será venenoso?
Se calhar
(tantos foram os que morreram por ele!)
O que pulsa dentro de mim
Sabe-me ao fim.
A minha alma
De sangue exangue
Lágrimas brotam
Água salgada
Como mar de saudade.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Sadismo

Sou sádica.
Vejo sangue a correr
Nas ruas da minha cidade
Como rio,
Planta de outro saber,
Esse obscuro.
Vejo a vida que sofreu
E que sofrerá.
Vejo sentidos numa
Estrada sem fim,
À margem dos projectos
Dos outros.
Vejo quantas criaturas
Brilham num céu
De prazer e torturas.

Vejo-me a mim e a ti.
Enquanto vejo
Vejo assim.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Vitoriano




Muitas vezes me recordo
Da natureza.
Um vale verde,
Um rio
Transparente aos olhos de todos.
E o movimento? E a música…
A doce música de olhares encobertos.
Canto aquela música sem letra;
Ela já bombeava o meu sangue,
Finalmente ela se liberta do meu ser.
No meio daquela canção,
Todos os sons que amava se sobrepunham
Numa desorganização organizada.
Todos os sons,
Todas as melodias,
Todas as sinfonias.
O rio a correr, a brisa de encontro às vegetais disposições,
Os pássaros, a vida,
Todo um círculo vicioso de sensações!
De repente, as cordas dos violinos partiram-se,
O piano calou-se,
Até o mais pequeno instrumento deixou de tocar…
O pano fechou-se;
Outro espectáculo surgiu:
Cordas se sobrepunham,
Quase automaticamente.
Rodas metálicas rugiam,
Rosnavam, rodavam.
Eu fazia casacos que nunca iria usar,
Dos melhores tecidos…
Ainda tinha todos os dedos,
Ao contrário de metade das crianças com que trabalhava.
Uma triste melodia em crescendo…
Era esta a verdadeira e única música
Que tinha ouvido em toda a minha curta vida.
Vida;
Aqui é tão rara…

Esse alguém...

É saudade cair em tua mente.
É o riso que chora a tua perda
Que me transforma
No que sou.
O cheiro do altar-mor
Incenso que aspiro.
Chuva,
Chuva dos sentimentos,
Me abrigo.
Tão só.
Claustro dos meus pensamentos,
Abriga-me da chuva que corre
Em bica
Não me traz
Contentamento.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Areal

O céu escurece,
O luar invade-nos o coração
E as trevas, a mente.
Ódio e amor,
Duas faces do mesmo elemento.
Serão as trevas intocáveis?
Poderá o luar sucumbir?
Nenhuma das faces cairá.
São, pois, as duas, apoio e complemento uma da outra.

E move-se assim o corpo ao ritmo do coração
E não da mente, ausente dos planos,
Da trajectória, de todo um plano universal.

O destino de todos, já traçado ou por nós definido?
Se calhar seja já destino que o Homem faça
Um longo e ridículo questionário.
Que sabe o Homem afinal?
Ele apenas avista a ponta de algo escondido na areia,
Algo demasiado escondido na imensidão do areal
Areia demasiado movediça,
Que engole as esperanças e sonhos de quem insiste em escavá-la.
É, afinal, a escuridão dos nossos corações
Que se esconde no areal.

O Retrato da Paz

A luz que vês
A passar
Por aquela janela,
Não passa da
Ausência de escuridão.
Uma força invisível...
Que provêm do mais fundo
Espaço
Do teu coração.
A Paz é isso.
É a ausência
De um instinto primário
Que se esconde em cada um de nós:
A Guerra.

A Guerra é uma arte,
Figuração definida
Por traços definidos.
A Definição de muitas e muitas
Vidas
Passaram e passarão por ela.
Assim,
A Paz é
Uma tela vazia,
Onde todos nós podemos
Projectar,
Imaginar,
Reflectir,
Sonhar,
O que seria cada
Um de nós.
Um futuro que podemos
Mudar.
Uma vida que podemos
Salvar.

E quando,
Mergulhados no
Sangue e lágrimas
De todos os que
Por nós
Lutaram,
Sofreram,
Morreram,
Estendermos
As mãos
Tingidas
Do Ser dos Outros
Para a tela branca,
Nascerá
Um esboço
De uma felicidade
Inalcançável.