quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Sometimes...

domingo, 12 de junho de 2011

Descubro Beijos

Descubro beijos,

Mantas sobre mobília antiga,

Apenas para não ganhar pó.

E porque tem de ser assim,

Sem cerimónia nem pompa,

Como o mais banal dos gestos?

Prefiro alcançar esse destino,

Correr para uma meta,

Que mais ninguém pode atravessar.

Solidão?

Escuridão?

Medo?

Talvez.

Mas não quero ser extremista.

Posso sempre mudar ao longo do caminho.

Nunca te habitues a pensar da mesma forma.

Senão irás parar a algum lugar que já conheces,

Mas ao qual nunca deverias ter voltado.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Intempéries 2

Esgotei as minhas palavras.

Estou farta de escrever no vazio.

Calafrio excêntrico de uma escritora

Sem papel,

Sem pincel,

Sem escopro,

Sem talento, incerto

Sonho dos sonhadores.

Sempre fui dada aos pesadelos

Suaves e claustrofóbicos.

Tinta

De sangue,

E em forma de caneta,

A dor.

Alucinações em que dizia

O que queria

E não

O que devia.

Se não fossem as lágrimas

Diria

Que era mentira.

Meu ser fora o não ser,

E, imaginação minha,

Não te quero perder.

Se te perco, perco-me a mim.

Perco-me,

Eu,

Mais uma vez,

No vazio.

domingo, 14 de novembro de 2010

no comments

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

7 - Às cegas

Não sabia por onde começar a procurar, e por isso procurou sem pensar. Já tinha passado uma semana desde que a primeira parte do diário do misterioso Balthazar tinha sido publicado. E nada tinha encontrado. Nem uma única pista. Não era preciso procurar muito no arquivo do jornal: este tinha iniciado a sua actividade poucos meses antes. Talvez por isso tivesse na sua estrutura editores trapaceiros que queriam apoiar a actividade jornalistica em anti-noticias, em eventos que nem sequer tinham importância para a sociedade em geral. Às voltas na biblioteca, no espaço dos periódicos, reflectia seriamente em como se tinha tornado num jornalista de um jornal de notícias supérfluas, perto da categoria de revista cor-de-rosa. Foi interrompido pela urgência de ser um pouco mais prático: abriu volumes de jornais relativamente recentes, ainda que ao calhas.
Perdeu-se mais um pouco. Perdeu-se ainda mais, vidrado num relógio e no seu ponteiro dos segundos, ágil a percorrer o redondo minuto. Mas um som se sobrepôs à marcha incessante do tempo. Cuidadosos passos, e uma bengala no ar, a sondar os objectos que se atravessavam. Os olhos cegos escondidos atrás de uns óculos escuros. Era uma mulher jovem.
O que ele não sabia é que os sons diziam-lhe que alguém se sentara a vasculhar as inconfidências dos jornalistas, e a intuição, que esse alguém estava perdido. Directa, firme e algo formal, mas com delicadeza, ela abordou-o:
- Precisa de ajuda?
Era funcionária da biblioteca. “E eu a pensar que era preciso ver para trabalhar aqui…”
- Mudo? O quê, é assim tão estranho? Pensavas que eu não podia trabalhar aqui por não ver? – respondeu, desfazendo um pouco a imagem séria de antes.
“Como é que ela sabe?! Será que lê mentes?!”
- Olha, eu não leio mentes … podes parar de pensar idiotices e dizer alguma coisa?
- Desculpe lá… Ei, desde quando é que tens idade para me tratar por tu?
- A partir do momento em que encontro idiotas que não me respondem! Eu não consigo interpretar códigos gestuais, não sei se já deu para ver.
- Nunca ninguém disse que a senhora não tem estofo para trabalhar em atendimento ao público?
Ao ouvir tal, a rapariga endireitou-se ligeiramente, voltando à sua posição inicial. Inspirou e expirou. Voltou a perguntar, com uma seriedade que roçava agora o falso:
- Precisa de ajuda?
Mimetizando-a, ele sentou-se mais direito e respondeu:
- Quem lhe disse que precisava de ajuda?
Um sorriso irrompeu:
- Estás aqui há horas. Mexes e remexes nos papéis, como se não tivesses um objectivo certo. Não sabes o que procurar, ou pelo menos como. Deves ter parado, mas apenas para olhar para o relógio. – fez uma pausa, algo triunfante; mas logo continuou – Não te apetece destruir o relógio? Faz um tique-taque irritante e que não nos larga. Mesmo que te percas nos teus pensamentos, sabes sempre que o tempo não parou para esperar por ti…
- Podes parar de gozar, ou lá o que estás a fazer? Como é que alguém comotu me pode ajudar?
- Sabendo o que procuras. Que fazes afinal aqui? - perguntou, fazendo de conta que não tinha percebido o insulto subentendido.
Derrotado, respondeu:
- Procuro uma noticia relacionada com o “Diário de Balthazar”, uma crónica que o meu jornal
publi…
- Mmmm, sei…
- Já ouviste falar?
- Sim. Mas não me lembro de notícias relacionadas nos últimos tempos… É mesmo verdade? Pensei que era inventado…
- Não, não é…
- Mas reparei no facto do bar estar aberto a noite toda até de madrugada, não é normal. Sabes quando é que isso acontece nesta cidade? No dia 3 de Agosto...
- 3 de Agosto?
- Sim… És de fora? - antes que ele pudesse responder – Sim, já se percebeu… Procura nesse
dia, o dia da"Grande Madrugada". Podia contar a gloriosa história desse feriado recentemente criado (e eliminado), mas basta saberes que foi criado para render mais dinheiro à vida nocturna...
Ele não gostava de ser mandado por alguém mais novo, e ainda assim tão arrogante, mas não tinha melhor ideia… Ela sentou-se a seu lado, como se fosse ajudar a procurar, e ele começou a folhear…
E num título inesperado de dia 3 de Agosto descobriu o que queria:
- “E debaixo do véu”… No dia da Grande Madrugada uma jovem morreu no Pub “A Dama do Véu” em estranhas circunstâncias… Polícia fala de homicídio… Parece que é isto!
- E graças a quem? A quem?
Estava claramente a divertir-se com a situação. Ele respondeu prontamente, algo chateado, mas satisfeito com a descoberta:
- Obrigado pela ajuda.
- De nada. – e com desenvoltura disse - Chamo-me Manuela. E tu?
- Miguel.
Ela estendeu a mão e ele apertou-a. Ela sorriu, um sorriso trapaceiro:
- E agora, já faço parte da investigação?
Ele riu-se, mas não respondeu.
Leu a notícia em voz alta, e os dois discutiram-na. Rapidamente perderam-se noutras conversas, nos seus caminhos sinuosos. Mais uma vez... sem contar com a marcha dos tempos, com o cair da noite, e o fim de mais um dia de vasculhação (não será o melhor nome para algo que não é bem uma investigação?).
Mas ainda muito por contar. E, afinal, que se passou naquela noite de Verão?

5 - De volta ao presente

- Isto é pior que a merda que tu escreveste!

O editor, ou Miranda, o nome que usavam os jornalistas sob sua alçada para o chamar, mas não tão comummente usado quando se referiam a ele nas suas costas, tinha acabado de ler o texto. E a insatisfação parecia bem visível. Mas ele era assim, antipático e fechado, cáustico e amargo. Ninguém sabia quando gostava de algo, apenas quando não gostava. Ainda assim algo mais deslizou da sua boca, não sem algum desconforto por parte do personagem, habituado a outro tipo de falas:

- Mas é uma história real. As pessoas querem lágrimas e sangue, mas fartaram-se do artificial. Isto pode ter sumo para espremer… Miúda – disse virado para o jornalista – vamos passar a publicar isto. Mas acho que também temos de fazer o nosso trabalho de casa. Investigar um pouco o que se passa afinal aqui, a verdade por detrás da verdade, percebes, morcão? Começa a procurar, esta morte pode já ter sido noticiada! Até pode ter sido publicada uma notícia no nosso jornal!

O jornalista parecia entusiasmado com a nova missão, e perfeitamente intocado pelos recorrentes insultos do patrão. Por onde começar a busca?

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Ora bem, o texto de hoje foi curto, mas assim foi também por vos querer incitar à participação. Inventem um nome para o bar onde se deu o crime, o nome da vítima, a data, e outros pormenores relacionados com o que se passou. Eu darei o devido enquadramento às informações que me derem.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

4 - No Bar

Foi de noite. Mas isso talvez já saibam. É sempre a noite que traz a magia, o dia traz a luz e a decepção. Olhava à minha volta e estava tudo como em qualquer outra hora, agitado, perturbado, confuso. Aborrecido, na verdade. Não encontrava espelho por onde me observar, como qualquer outro no meu lugar. E que veria eu nesse reflexo? Nada de muito especial. Talvez isso me devesse atormentar, mas tal não acontecia. Como qualquer um no meu lugar.
Acho que só procurei ver algo em mim depois daquelas horas. Só procuramos o que pensamos poder encontrar.
Podia dizer que nada de novo aconteceu. Mas a novidade só a é para alguém, e para mim foi. Ela era diferente. Talvez não o fosse para qualquer um, mas para alguém o era. Pelo menos para mim.
Se era rosa, eu não via os espinhos. Não quer dizer que não me fosse picar... O que não me demoveu de lhe falar.
Um balcão de um bar, uma bebida oferecida e em troca um sorriso que nos parece do outro mundo. Já ouviram esta história em algum lado? Eu nunca tinha feito dela mais do que isso, ainda que fosse pela sua miragem que migrava todas as noites para aquele local. Não estava à espera de a contar ninguém, ainda que a procurasse incessantemente.
Eu perdi-me no sorriso dela e nela perdi as horas. Sem muitas palavras trocadas, roubei-lhe um beijo. Tímido beijo, já que já me tinha dado a sua simpatia; a ganância em mim foi sempre moderada. Corou para meu espanto. O vermelho nas faces passou para as minhas. Virou-se para mim e segredou nervosa “eu também não estou habituada a isto”. “Não diria tanto”, cortei eu a sua voz e não vi razão para explicar mais as minhas razões, como se a razão se pudesse intrometer aqui.
Não a beijei mais, pelo encanto da sua inocência, não sabia se verdadeira ou não. Também não falámos muito mais. Porque não lhe perguntei nada. Porque não queria roubar mais. Porque o que queria dela tinha de me ser dado, e só aquela rapariga calada, tímida, e ainda assim marcante, poderia fazê-lo.
Durante horas esperei por uma oferenda. Ela foi dando o que sabia dar: um sorriso, um olhar, uma palavra. Coisas tão simples e tão preciosas. Como anéis de plástico trocados entre crianças que ainda não sabem o que é o amor, ou como risos enrugados entre velhos que não descobriram entretanto o que é o amor, mas isso não os impediu de o viver. Esperei mais, como podia não o fazer!?
Ainda que fosse novo para mim, de certa forma, esperei porque não havia mais nada a fazer. Até que o dia raiou e a sua luz nasceu de novo, como sempre o fez. Mas, para quem vive à noite, a luz traz sempre algo que não desejamos: um adeus. Desta vez trouxe algo mais: a verdade. Irrompeu pelas janelas e rasgou-me o peito. Abriu-me o coração e deixou lá um vazio. Porque a luz trouxe a escuridão, e talvez tal aconteça porque faça sombra quando não é omnipresente. Apagou-se uma outra luz, sim, mas primeiro no seu sorriso, depois no seu olhar, por fim no seu corpo inteiro, enquanto esmorecia e caia da cadeira, já sem forças, já sem vida.
E a mim, o que aconteceria? Via bem quando a escuridão era rainha, mas já tinha vivido sem sombra e não podia lá regressar.
E porque é que a manhã trouxe a noite à sua vida? Tinha de saber porquê, amanheci eu no meu pensamento, junto com as minhas lágrimas. Lavo a cara para uma nova existência, à sombra da luz de um dia que vi à noite...

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Bom, isto tudo é da minha autoria, porque o meu apelo não teve resposta. Não sei se terão mais vontade de participar após este capítulo, mas espero que sim. Vejam no capitulo 3, de 15 de Setembro, para mais informações sobre como participar. Eu espero por isso. Senão tiver propostas, continuo com os textos de minha autoria (mas espero sempre por ideias novas).
Comentem, votem, a vossa opinião e a vossa participação é importante no fendamel
E que traz o capítulo seguinte? Quem sabe...